Músico, produtor, dono de selo independente... O campo de atuação de Pregador Luo é vasto. O envolvimento com as diversas vertentes da área musical fez com que o cantor adquirisse uma noção clara de como funcionam os processos da indústria desse segmento.
Há mais de vinte anos envolvido com o hip hop, Pregador Luo obteve destaque à frente do Apocalipse 16 – referência quando se fala em rap gospel de qualidade. O primeiro trabalho do grupo marcou o surgimento do selo Sete Taças, criado pelo músico com o intuito de lançar os trabalhos de sua banda.
O CD “Música de Guerra – 1ª Missão”, lançado em 2008, chegou às lojas cinco anos após o seu primeiro trabalho-solo, “RevoLuoção”. O hiato entre os dois álbuns trouxe algumas mudanças, que refletem a constante busca de Luo pela inovação. O novo trabalho do cantor resultou em duas indicações ao Troféu Talento, nas categorias “Álbum Rap” e “Álbum Independente”.
Em entrevista ao site do Troféu Talento, Pregador Luo falou sobre seu mais recente CD, opinou sobre o mercado independente, revelou algumas das influências que contribuíram para o desenvolvimento de sua música, além de destacar a importância da fé em Deus para enfrentar – e vencer – as batalhas da vida.
Quais as diferenças entre o CD “Música de Guerra – 1ª Missão” e o seu primeiro álbum-solo, “RevoLuoção” de 2003?
Pregador Luo - O “MG-1ªM” foi todo composto em cima de uma mesma temática que aborda o mundo das artes marciais. Compus sobre a vida dos lutadores brasileiros que são ícones mundiais desse esporte e que têm uma mensagem para passar através do esporte, de sua fé e de seus testemunhos de vida. Porém, em todo o conteúdo do disco procuro trazer a mensagem de Jesus e de seu poderoso Evangelho como forma de resgatar as pessoas e reposicioná-las na vida de forma positiva. Para isso, utilizo a metáfora da luta, que é de fato a luta física que esses atletas travam para conseguir alcançar os seus objetivos como profissionais. Uso essa mesma metáfora para incentivar pessoas a vencerem lutas que estão travando em diversas áreas, e a superar desafios.
Como, por exemplo, no campo espiritual, social, profissional, na área da saúde. Pessoas que enfrentam problemas, que estão doentes, desempregadas, presas ou desmotivadas com a vida encontram no CD “Música de Guerra” um fôlego novo e um estímulo para irem além e vencerem seus desafios.
O CD “RevoLuoção”, meu primeiro álbum-solo duplo, também tinha tudo isso. Só que nele eu pude abordar diversos outros assuntos. Compus 39 faixas que vão do rap pesado ao rock, da bossa nova ao soul. A meu ver, esse disco foi um marco na história do rap e da música gospel. O público apreciou muito este CD.A sonoridade dos dois álbuns é parecida na qualidade, mas a produção das bases musicais muda um pouco, pois estou sempre inovando o meu estilo e acompanhando a tendência mundial do hip hop. Já o discurso continua e continuará sempre cheio de conteúdo do bem, cheio do Amor de Deus e de sede de justiça e vitória.
O lançamento do seu novo álbum é um indício do fim do Apocalipse 16 ou a ideia é manter trabalhos paralelos?
Pregador Luo – O Apocalipse 16 ainda vai durar muito tempo; enquanto eu existir ele também continuará existindo e depois que eu passar ele continuará. APC 16 e LUO são a mesma coisa, não existe um sem o outro! Desde que montei o Apocalipse 16, em 1996, sempre fui o investidor de todo o projeto, desde escrever todas as letras, produzir todas as músicas, elaborar todas as capas, ser responsável por todos os custos de produção, gerenciamento de vendas, divulgação do produto, etc. Todas essas coisas eu fiz praticamente sozinho. Não tive investidores mesmo no início, na primeira formação, e até hoje nesse formato de banda. Todas as pessoas com quem trabalhei tiveram sua importância e seu valor, e mostraram no APC 16 o seu lado artístico durante as apresentações em eventos. Todos nós sabemos ou deveríamos saber que não é só isso que faz uma banda ou um artista dar certo. Sou grato a minha esposa, que sempre esteve ao meu lado, me ajudando em tudo e em todos os momentos. Sou grato a Deus por ela e também por ter me dado forças e bênçãos para eu seguir com esse propósito em minha vida. A minha ideia como artista-solo é poder fazer um trabalho paralelo que se diferencie do que faço no Apocalipse 16 e que sempre traga novas possibilidades e um fôlego novo para a cena musical, como, por exemplo, o que estou fazendo agora com o “Música de Guerra”, meu novo álbum-solo que é um projeto inédito no mundo.
Quais artistas serviram de influência para o seu trabalho?
Pregador Luo - São muitos, e de fases diferentes de minha vida. No começo eram os rappers americanos Public Enemy, Eric B e Rakin, Afrika Bambaata, Gueto Boys, Boggie Down, Rodney-O and Joe Cooley, Jazzy Jeff and Fresh Prince (hoje conhecido como Will Smith), NWA, Bone Thugs in Harmony, Ja Rule, Busta Rhymes, DMX, Puff Daddy. Eram e continuarão sendo muitos os que me inspiram. Os brasileiros Thaíde e DJ Hum, Ndee Naldinho, MC Jack, Os Metralhas, DJ Mister, Eazy Nylon, DJ Duda, DJ Cuca, Racionais MC’s e dezenas de outros. Tive minha fase de ouvir de tudo, rock, MPB, música eletrônica, house, DnB, bossa nova, soul... No soul, não posso jamais esquecer James Brown, Isaac Hayes, Lamont Dozier, Al Green, Marvin Gaye, Michael Jackson, que eu imitei milhares de vezes (risos). Bate até um saudosismo lembrar disso tudo. Quando conheci a música gospel e seus excelentes artistas, músicos, letristas e arranjadores, eu me identifiquei de cara com tudo. Desde os mais tradicionais aos artistas da black music, como Voz da Verdade, Kadoshi (ainda na época de Athos 2), Pr. Adhemar de Campos, Álvaro Tito, Oséias de Paula, Rayssa e Ravel, Aline Barros, Trazendo a Arca, Markinhos Gomes, etc. Da black music: Gospel Gangstas, Grits, Kirk Franklin, Cristhafari, Dawkns and Dawkns, Mary Mary, B.B. Jay, DJ Alpiste, Provérbio X, Robson Nascimento, Sérgio Saas, Banda Bani, FLG, Banda Rara, Templo Soul e vários corais nacionais e internacionais.
O que o inspira a compor?
Pregador Luo - Todas essas pessoas que citei acima, minha esposa, filmes, livros, desenhos, esportistas de diversas modalidades, HQs, praia, um dia de chuva, um dia de sol, as estrelas, a lua. Sobretudo, minha inspiração maior é o Evangelho na pessoa de Jesus Cristo. Por causa dEle, vejo causa e propósito em fazer o que faço.
Como surgiu a ideia de criar o selo Sete Taças?
Pregador Luo - O selo surgiu mais por necessidade do que por uma idéia. Sempre fui muito independente; ainda jovem eu já trabalhava, comprava meus tênis, jaquetas, discos, cartuchos de Atari e me mantinha. Saí cedo de casa. Quando comecei a cantar, logo percebi que gravar era difícil. E quando percebi que as gravadoras se beneficiavam mais do que os próprios artistas nos contratos, não tive dúvida: procurei saber como funcionava o processo para fabricar e vender discos por conta própria. Não foi fácil, e até hoje não é. Lembro que, logo que recebi da fábrica as primeiras peças do CD “Arrependa-se”, em 1998, enchi um saco de lixo preto bem grande com algumas caixinhas, peguei um ônibus e saí oferecendo nas lojas de discos. Alguns lojistas davam risada, outros, acredito que ficavam com dó e compravam uma ou duas peças. Quando vi, estava no Largo de Pinheiros, em São Paulo, no final da tarde. Eu era louco (risos), mas alguma coisa me movia a fazer essas coisas, entre tantas outras coisas que fiz para poder conseguir tornar meu sonho uma realidade. Fiz este trajeto mais algumas vezes. Nas lojas em que retornei, os meus discos haviam acabado e os lojistas já não riam mais. Passaram a comprar caixas inteiras dos meus CDs. Daí em diante, fui aprendendo cada vez mais sobre o negócio e lancei meus 10 trabalhos seguintes pelo meu próprio selo. Lancei também alguns outros artistas e ajudei a impulsionar e criar essa cena da black music gospel no Brasil.
Como músico e proprietário de um selo independente, qual a sua visão a respeito do espaço existente para artistas gospel desse segmento?
Pregador Luo - O espaço é mínimo ainda. Existe um preconceito no coração de muita gente com relação ao segmento. É como se cada banda estivesse à sua própria sorte no mercado. Eu tenho tratado de abrir meu caminho sem depender muito do que pensam ou fazem por mim. Ainda falta empenho, compromisso com Deus, investimento e até maior profissionalismo de muitos artistas do meio. Somado a isso, a mídia e as gravadoras oferecem sempre mais do mesmo. Não respiram novos ares e não se engajam em criar uma cultura musical que seja baseada na pluralidade e na democracia. Se alguns conseguiram por mérito próprio, e também com a ajuda de Deus, se tornar os fenômenos que são hoje, glória a Deus, estão de parabéns. Mas as rádios, gravadoras e distribuidoras não entendem que pode se fatiar o mercado. Tocam 24 horas por dia a febre do momento, ou quem pode pagar mais. Não tiro o mérito de nenhum artista, mas o povo e os profissionais que controlam a mídia no País deveriam perceber que isso pode ser bom para os negócios, mas ruim para a cultura evangélica. Transformar homens em mártires e incentivar um consumo exacerbado de apenas uma vertente como verdade absoluta é um erro do povo evangélico, um erro que certamente irá gerar um desfalque para o Reino de Deus.
Como é a experiência de comandar um programa de rádio?
Pregador Luo - Ótima! Muito gratificante, uma tarefa de grande importância, divertida e também oportuna, já que posso conversar com o meu público diretamente, tocar minhas músicas e de outros artistas e amigos, e ainda entrar na casa e no coração de milhares de pessoas. No programa chegam cartas, e-mails e ligações de diversas pessoas. Famílias inteiras ficam ligadinhas aguardando o início do programa. São pais que escutam com os filhos, pessoas que ligam de seus trabalhos ou de leitos de hospitais, amigos que se reúnem para ouvir o programa juntos. Gente de todo o Brasil. Muitas crianças ligam pedindo minhas músicas. Um garoto chamado Lucas liga toda semana com a irmã dele, Karen. Eles ficam juntos, todo sábado, escutando o programa. Em um desses dias, perguntei ao Lucas: “O que você quer ser quando crescer?” e ele me respondeu: “Igual a você, Luo.” Eu até engasguei nessa hora. Saber que seguir o plano de Deus para minha vida me faz ser um exemplo até para uma criança de 10 anos é motivo de muito orgulho e de honra. O programa vai ao ar todos os sábados, pela Rede Nossa Rádio FM, a partir das 21h.
Na sua visão, o hip hop brasileiro já conseguiu criar um estilo próprio?
Pregador Luo - Sim, mas não o adequado. O estilo que se popularizou no País se enraizou nas favelas e periferias e fica muitas vezes restrito aos guetos; é um estilo que não dialoga com todas as classes. Isso a meu ver é ruim, pois nos limita. O mau português das letras, a apologia ao uso de drogas e ao estilo de vida de malandro, as produções fracas, a associação ao crime e uma série de outros pontos negativos impedem que o estilo cresça no Brasil. O povo fica com medo. É gerado um pré-conceito. Não existe uma preocupação em evoluir nesses aspectos e não podemos atribuir isso à falta de recursos e à pobreza. Bom gosto, zelo, boa índole e cuidado com o seu trabalho vêm antes do dinheiro e dos recursos, eu sou a prova disso.
O que as indicações ao Troféu Talento pelo álbum “Música de Guerra – 1ª Missão” representam para você?
Pregador Luo - Antes de tudo, são motivos de felicidade por ser incluso e ser levado em conta. E motivo de gratidão a Deus e à organização do prêmio por ter meu trabalho indicado. É uma chance de mostrar minha obra para um número maior de pessoas. Mídia, fãs, indústria e profissionais do mercado voltam os olhos para o meu produto e meu discurso. A premiação valoriza e fortalece minha carreira!
Poderia deixar uma mensagem para os fãs?
Pregador Luo - Quero pedir para as pessoas que apoiam e acompanham o meu trabalho que continuem tendo a mente aberta para Deus, que não se fechem para o conhecimento, que não deixem de se alimentar de Deus, e da Sua palavra. Continuem escutando música, vendo filmes, lendo livros, viajando, sorrindo, chorando, tendo suas próprias experiências de vida e extraindo delas tudo o que for bom para seu autocrescimento. Dancem, cantem, descubram a pessoa certa, namorem, casem e constituam família. Não se prendam a nada, mas sejam livres em Jesus Cristo. Aproveitem a liberdade e a salvação que Ele conquistou para vocês na Cruz. Obrigado pelo apoio de todos vocês. Fiquem firmes na Rocha e que Deus os abençoe!
Fonte: Troféu Talento, via Escrevendo de Tudo
Por Amenidades da Cristandade
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Confira o vídeo da participação do rapper mais conhecido no meio cristão brasileiro, o Pregador Luo do grupo Apocalipse 16, na música gravada em 2006, intitulada "Obsessão" do grupo KLB.
Veja o clip:
Veja a paticipação no Domingo Legal:
Amenidades da Cristandade
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Nascido em Belo Horizonte, Samuel iniciou seu envolvimento com a música ainda na infância e aos 10 anos, já fazia parte do marcante grupo “Louvores da Garotada”, grupo do qual Ana Paula Valadão (Diante do Trono) também fez parte. Alguns anos depois, Mizrahy fez parte do coral El Shamah, da Igreja Batista da Lagoinha.
Em 1997, Samuel se juntou aos amigos Nívea, Gustavo Soares, Thales Roberto (atualmente trabalhando com o grupo Jota Quest), Bruno Gomes (hoje baterista do DT) entre outros para criar a banda Muitomais, grupo este que alcançou um bom destaque no cenário evangélico da capital mineira.
Com o fim do Muitomais Samuel passou a se dedicar a dar aulas de canto, compor e trabalhar como produtor musical. Paralelo a isso, aproveitou para terminar o curso de Publicidade & Propaganda no Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH e casou-se com Adila Karina Neves, filha do Pr. Jonas Neves, ex-pastor da Igreja Batista da Lagoinha e atualmente pastoreando a Igreja Batista do Povo em São Paulo capital, no bairro de Vila Mariana.
O cantor acabou indo morar em São Paulo, e ali conheceu André Calore que viria a ser produtor de seu primeiro trabalho solo, 70x7, lançado em 2005, que é um cd de black music com influências da música popular brasileira.
Agora, no mês de agosto, Samuel Mizrahy lançou seu mais recente trabalho intitulado "Naturalmente Sobrenatural", que conta com participações especiais dos amigos André Valadão (na canção "Amado") e Pregador Luo (na canção título - "Naturalmente Sobrenatural"). Vale a pena dar uma passada no Myspace do cantor e ouvir algumas músicas do novo trabalho que estão disponíveis:
www.myspace.com/samuelmizrahy
Amenidades da Cristandade
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Fonte: Lagoinha.com
A vez e a voz da experiência
A vez e a voz da experiência
Com exclusividade, em retrospectiva de 3 décadas de estrada no louvor e na adoração, Adhemar de Campos fala de sua vida, família e seu ministério.... E muito mais.
Ele converteu-se em fevereiro de 1974, num sábado de carnaval, num acampamento promovido, na época, pela Igreja do Evangelho Quadrangular. Nem bem assimilara a experiência que acabara de passar, dois meses após sua conversão, já compunha sua primeira canção intitulada “Cristo me mostrou o caminho”, que, como conta ele, “marcou o início de minha vida cristã”.
De fato marcou, pois daí em diante, não parou mais. E não demoraria muito para que logo seu nome figurasse como ícone e referência entre os muitos que com ele desbravaram o caminho para o louvor e a adoração se tornarem o que é hoje: um marco e uma ponte para muitos lideres, músicos, ministros e ministérios que têm nesse, digamos, segmento, mais que seu chamado, mas, acima de tudo, um estilo de vida capaz de contagiar e influenciar a muitos.
Para saber de seus mais de trinta anos de ministério à frente da música, do louvor e da adoração, fomos conversar com o pastor e ministro Adhemar de Campos. Casado e pai de três filhos, ele é autor de cerca de 500 canções, além de versionista de mais de 100 músicas de origem norte-americana e línguas hispânicas, cantadas por expoentes da música evangélica como Don Moen, Ron Kenoly, Bob Fitts, Paul Wilbur (todos americanos), Marcos Witt (méxicano) e Jorge Losano (argentino) – só para citar alguns. Os seus trabalhos passaram pelos antigos LP´s (long play), chegaram aos CD´s e hoje figuram entre os DVD´s.
Adhemar de Campos é hoje pastor auxiliar da Comunidade da Graça, em São Paulo. Em tom de gratidão e também humildade – para não falar ainda de sinceridade e transparência, marcas de seu forte temperamento – ele nos concedeu a honra dessa entrevista. É a vez e a voz da experiência de quem muito aprendeu ao longo do caminho. E agora tem muito a ensinar. Eis então a entrevista:
Lagoinha.com: Em que ponto principal a sua geração difere da nova geração de adoradores?
Pr. Adhemar de Campos: Se há alguma diferença, eu diria que ela está na questão da experiência e do conhecimento em função dos anos vividos, o que é perfeitamente normal, porque, na maioria dos casos, a seriedade, intensidade e motivação são iguais. Tenho caminhado com vários da nova geração e a experiência tem sido gratificante, como exemplifica o Salmos 78, versos 1 a 6.
Lagoinha.com: Suas canções fizeram parte da vida de muitas pessoas e inspiraram muitos outros adoradores como Ana Paula Valadão Bessa, Nívea Soares, David Quinlan, Pregador Luo... Você se considera um dos que prepararam o caminho para esta nova geração?
Pr. Adhemar: Somente hoje consigo enxergar isso, pois no começo, não tinha noção do que estava acontecendo nem do que viria a acontecer. Eu apenas vivia aquele momento intenso e indescritivelmente maravilhoso. Aprendi que Deus tem os seus planos e os executa muito bem.
Lagoinha.com: A espontaneidade nos ritmos e canções que figuram no louvor e na adoração hoje foi também motivo de discussões e divisões, especialmente porque muitos consideravam como abuso, modismo e falta de reverência, em razão do tradicionalismo que ainda hoje parece imperar na música evangélica. Com que tipo de cenário se deparou logo no início de seu ministério e com o que teve de lidar, uma vez que foi um dos pioneiros dessa espontaneidade?
Pr. Adhemar: De fato, não foi nada fácil enfrentar o status quo denominacional da época, representado por uma minoria. Por outro lado, não tínhamos como recuar, pois experimentávamos algo forte que o Espírito trazia para a sua Igreja e não um modismo ou coisa parecida. Também não agíamos com a intenção de querer provocar as lideranças denominacionais. Apenas estávamos vivendo uma experiência genuína, baseada no amor de Deus. Com o tempo, outros irmãos foram sendo contagiados e assim a benção se espalhou.
Lagoinha.com: Salvo honrosas exceções, como avalia esse boom de grupos, ministros e ministérios de louvor e adoração que surgiram e têm surgido desde que começou seu ministério? Seria avivamento, modismo ou marketing?
Pr. Adhemar: Na verdade, creio que é um pouco de tudo. Talvez o mais acertado seria dizer que alguns são genuínos, mas outros não tem identidade ministerial, infelizmente. Olhando para o livro de Atos, encontramos a história de um homem chamado Elimas, que desejou “comprar” o dom de Deus para realizar “seus” sinais. Quando um mover genuíno surge, ele gera muitas experiências genuínas e abençoadoras, como vemos em nossos dias. Mas nunca nos livraremos dos “elimas” que proliferam em nosso meio. Provavelmente seja por isso que o apóstolo Paulo tenha dito: “...Aqueles cujo deus é o ventre”.
Lagoinha.com: Uma das grandes queixas de quem lida com o louvor e a adoração como ministério é a falta de unidade, visão e compromisso e, não raro, se tem notícia de grupos e ministérios que se dividem por ciúmes, lucros e brigas internas. Qual sua opinião sobre isso e o que diria para quem já lida com o louvor e a adoração há anos ou está começando agora e que dicas ou segredos citaria para a unidade e sucesso de um ministro, grupo ou ministério?
Pr. Adhemar: Indo direto ao ponto: a falta de unidade, de visão e de compromisso é falta de conversão, de novo nascimento, de encontro real com Cristo. Assim está escrito: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas velhas já passaram...” e “... O novo homem se renova”. ( 2 Cor. 5:17; Col 3:10). A dica que dou é simples: precisamos pregar o evangelho do Reino, pregar a cruz, pregar Cristo crucificado e ressurreto. Quantos estão anunciando essa mensagem? Hoje temos uma igreja e ministros que correspondem a mensagem que ouviram, ou seja, temos pregado um evangelho diluído, que não incomoda, não confronta. Nesse caso, pouco adiantará oferecer regrinhas de conduta ou coisa parecida. Precisamos mesmo é de nos arrepender e voltarmos para a essência do Cristianismo. Para aqueles que passaram pela cruz, aconselho a se submeterem a um pastor, a um discipulado e a um pastoreamento e estarem de fato ligado a uma igreja, para edificação e multiplicação.
Lagoinha.com: Como ministro de louvor, o senhor se depara com muitas situações que geram dúvidas como ser músico ou ministro, receber cachê ou oferta, serviço voluntário ou remunerado... Como lida com estas questões?
Pr. Adhemar: Antes de discutirmos sobre “músico ou ministro”, “cachê ou oferta”, “voluntário ou remunerado”, desafio a todos a responderem para si e para Deus essa pergunta: para quem você vive? Estou certo que a resposta a essa pergunta vai lhe levar ao erro ou acerto das outras. Minha opinião? Bem! Eu sou músico, ministro. Aceito oferta, doação, semente. Assim a Palavra afirma: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito que vem do alto do Pai das luzes” Sou voluntário, mas também sou remunerado... Ah, o melhor de tudo: Jesus é meu único tesouro! Minha resposta é simples e vem com uma pergunta: para quem eu vivo? Todo cristão deveria fazer essa pergunta em algum momento: que torre estou construindo? Que reino estou construindo? Que nome estou construindo? O apóstolo Paulo tem uma idéia interessante sobre isso. Ele afirma: “Porque ninguém vive para si mesmo, se vivemos para o Senhor vivemos...” (Romanos 14:7-8)
Lagoinha.com: Algo muito marcante em seu ministério é o fato de o senhor nunca ter se pronunciado contra ou falando mal de outros ministérios. Como vê essa postura por parte alguns pastores e líderes de louvor que pregam ou falam mal de determinados grupos? Até que ponto a crítica é saudável para o Corpo de Cristo?
Pr. Adhemar: Talvez eu tenha falado, sim, algo em relação a algum ministério, pois sou falho como qualquer outra pessoa. Porém, não é meu hábito fazê-lo, a não ser quando existe uma situação que ofereça perigo doutrinário e que contraria as Escrituras. Nesses casos, reajo com veemência para proteger o rebanho. Por outro lado, creio que a crítica só tem lugar quando é dirigida a quem de direito, com a intenção de abençoar e edificar.
Lagoinha.com: Nos últimos tempos, temos percebido que muitas igrejas se voltaram mais para o louvor e a adoração, e se esqueceram de outras áreas como evangelismo, discipulado e, principalmente, a Palavra de Deus propriamente dita. Como evitar que isso aconteça?
Pr. Adhemar: Se, como Igreja, nos esquecemos do evangelismo, do discipulado e, principalmente, da Palavra de Deus, provavelmente nosso louvor e nossa adoração não é nada mais que um modismo efêmero. O contrário disso é o louvor e adoração que passam pela cruz e se transformam nu estilo de vida, que nos faz amar a Palavra e nos leva a evangelizar e a fazer discípulos.
Lagoinha.com: O senhor é bem aberto quanto à questão de estilos musicais. Prova disso, é a sua participação no álbum “D’alma”, do APC 16 (compare preços), do pregador Luo. Sem dúvida, um dos momentos marcantes do DVD é quando ouvimos a canção “Tributo a Iehovah”. Como foi participar deste trabalho? Qual a visão que você tem dos diversos estilos musicais?
Pr. Adhemar: A visão que Deus tem dos povos, das tribos e nações; a visão do evangelho que alcança todas as culturas da Terra; a visão da universalidade da música, que une os povos; a visão da semente de Abraão, Cristo, por meio de quem seriam abençoadas todas as famílias da Terra.
Lagoinha.com: Como nasceu essa amizade entre o senhor e Luo, que contribuiu para a participação dele em seu DVD comemorativo?
Pr. Adhemar: Segundo o próprio Luo, no inicio da sua conversão, essa foi a música que marcou sua vida profundamente e contribuiu na sua caminhada com Deus. Com isso, nos tornamos amigos.
Lagoinha.com: Numa retrospectiva dessas três décadas de ministério comemoradas recentemente, como avalia sua trajetória? O que mais lhe marcou?
Pr. Adhemar: Fui gerado pela palavra do evangelho do Reino, que focaliza Cristo crucificado, ressurreto, exaltado, o Rei que reina. Em todo esse tempo, tenho procurado submeter ao senhorio de Cristo minha vida, e família, profissão, meu ministério, dons, talentos, bens. Enfim, tudo. Na medida em que ia conhecendo e me entregando ao Senhor, fui colhendo o fruto dessa semeadura em termos de presença de Deus e fruto de vida em todas as dimensões.
Lagoinha.com: Que fato curioso citaria que marcou o seu ministério nesses 30 anos?
Pr. Adhemar: Estava numa vigília, prostrado, quando o Espírito me disse: “Esse é o melhor lugar do mundo para você estar: aos Meus pés”. Passados alguns minutos, o pastor que orava ao meu lado recebera uma visão na qual me via ministrando num ginásio em que pessoas estavam sendo poderosamente tocadas por Deus. Foi uma experiência inesquecível.
Lagoinha.com: Quais as palavras fundamentais que descrevem o modo para permanecer no ministério por 30 anos? Como o significado real de cada uma influenciou a sua vida e seu ministério?
Pr. Adhemar: Novo nascimento, traduzido pela revelação da sublimidade da graça divina, que sepultou a miséria gerada pelo pecado em minha vida, conforme Romanos 8: versos 1 e 2. Essa essência, que me conectou ao evangelho verdadeiro, puro, simples, sem mistura, sem interferência humana. Escrituras sagradas, fonte de revelação, avivamento, capacitação, autoridade, estabilidade, santidade, inspiração, composição, profecia, paixão e compaixão.
Lagoinha.com: Se tivesse que lançar um DVD comemorativo tendo, porém, como convidados ministros e ministérios que caminharam contigo e/ou atuaram na sua época, o faria? Se sim, quem convidaria para dividir o palco contigo?
Pr. Adhemar: Bem, da minha época, seria um time grande de preciosos amigos como Asaph Borba, Gerson Ortega, Guilherme Kerr, Dimas Pezzatto, Benedito Gomes, Carlinhos Félix, Alda Célia, entre tantos queridos que poderia mencionar, pessoas que amo e admiro.
Lagoinha.com: Como foi a interação no estúdio com os ministros convidados para seu DVD comemorativo?
Pr. Adhemar: Fantástico! Ficamos hospedados no mesmo hotel um dia antes da gravação e assim pudemos aprofundar nossa comunhão nos ensaios, nas orações, nas refeições. O resultado da gravação também é o fruto semeado por meio da comunhão. Que lição preciosa! Aleluia!
Lagoinha.com: Fale, brevemente, da perda de sua filha, Raquel, de acordo com o que sua esposa relatou no DVD.
Pr. Adhemar: Era nossa primeira experiencia como pais em 1983. O bebê nasceu com alguns órgãos internos mal formados vindo por isso a falecer. por essa razão o médico orientou-nos a não tentarmos outra gravidez porem oramos e o Senhor nos deu a palavra de isaias 65.17-23. assim nasceram Rodrigo, Mariana e Juliana.
Lagoinha.com: Como foi estar entre os finalistas na 13ª edição do troféu talento nas categorias de “melhor DVD”, “Álbum Adoração e Louvor” e “Cantor do Ano”?
Pr. Adhemar: Hum... Foi uma surpresa.
Lagoinha.com: Uma mensagem especial final a todos os internautas do nosso portal.
Pr. Adhemar: Conheça Jesus e entregue-se a Ele. Ande com Ele, ame-O sobretudo, e faça da sua vida sua melhor canção e seu melhor louvor para Ele.
::Por Ana Paula Costa
Jornalista e Gerente de Comunicação da Igreja Batista da Lagoinha
*Com colaboração de Marcelo Ferreira - jornalista do setor de Comunicação da Igreja Batista da Lagoinha
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